segunda-feira, 31 de maio de 2010

- Segredinho

Tanto tempo desde a última vez que nos encontramos. Me lembro de um dos meus dias preferidos. Aqueles dias bons de lembrar. Dá um apertinho gostoso de saudade, e você não sabe se é no estômago ou no coração. Estava chuvoso, e você bateu na minha porta de bicicleta e toda molhada. Pensei que iria ficar resfriada, mas naquele momento quem estava doente era eu. Comemos bolacha recheada deitadas na cama. Não sabíamos, mas ali estava sendo criada uma ligação que nos tiraria o sono e perturbaria por muitos dias de nossas vidas.. Aquilo crescia. Com o tempo sua aprovação era a primeira parte do meu plano. Você me achava inteligente, experiente, e não percebia que me escondia nessa máscara só para ter sua atenção. Alguns dias você me irritou, porque eu estava tentando me provar que você me irritava. Eu tinha medo, sentimento demais queima como palha na fogueira, acreditava eu. Para mim, você nem se lembrava quem eu era durante o dia, eu achava que você apenas precisava de alguém para amar, e eu tinha permitido que fosse eu. Então passaram dias, meses, e lá se foi o ano. Eu esperava incessantemente estar certa. Certa de que você deixaria de sentir, assim eu estaria correta quando pensava sobre aquilo virar cinzas por queimar rápido demais. Você pararia de sentir, e me deixaria em paz, assim eu também não sentiria.
Um belo dia, você me deixou. Mesmo, mesmo. E eu percebia que algo estava me incomodando, vasculhei em todas as áreas da minha vida na desculpa de ‘’não saber o que era’’. Mas eu sabia que era sua ausência. Como algo que você ama muito, mas deixa de cuidar por achar que sempre estará lá. E quando aquilo é tirado de lá, você se desespera. No acúmulo dos dias, fui me ajeitando, aquela ausência doía, mas eu fui me confortando com a dor, alimentada pela incerteza da raiva que eu queria sentir. Mudei meus planos, mudei as pessoas, e encaminhei minha vida. Eu jurei nunca mais aceitar sua presença... Eu passei dias jurando não aceitar mais sua presença. Tudo o que eu quero é sua presença... Não, não... Não!
‘’Então se você quiser ficar comigo, com essas coisas não há o que falar você tem que esperar e ver.’’